The Falling Times: a queda das notícias

E se eu lhe disse que a imagem abaixo consiste na capa de um jornal. Sim, sem menu, chamadas, arquitetura e todos os aqueles elementos clássicos que fazem um jornal ser jornal.

A proposta do The Falling Times é diferente de tudo que já vi na internet e, em especial, no ciberjornalismo. A experiência é simples: as notícias caem (literalmente) na tela através de ícones. Ao passar o cursor nas imagens, surgem os títulos das reportagens (em inglês).

O melhor é que o The Falling Times é colaborativo. O site apresenta os ícones e oferece a possibilidade de classificá-los e a partir daí, as notícias são indexadas.

Os jornais baianos já descobriram o twitter?

O relógio marcava 17h45 quando uma amiga do trabalho me avisou sobre a manifestação organizada por moradores do Bairro da Paz. O marido dela, que passava pelo local, informou-lhe sobre o protesto, que depois descobri que fora motivado pela onda de violência que abateu-se sob a localidade.

Não perdi tempo e divulguei a informação via twitter, tendo em vista que a fonte era digna de confiança. Twittei às 17h46 e furei (ou seja, publiquei em primeira mão a notícia) a mídia baiana. Fiz o mapeamento da imprensa de Salvador e do interior do Estado e a primeira referência ao assunto fora realizado pela Rádio Sociedade AM, às 18h14. No A Tarde, o maior jornal da capital baiana, somente às 18h46 subiram a notícia.

O intervalo de tempo entre meu twitt e a publicação da Rádio Sociedade revela as falhas/ausência no aspecto dialógico/relacional dos media com os cidadãos. Escrevi um post onde argumento que o ciberjornalismo demanda uma mediação mais dialógica dos jornalistas com o seu público.

Penso que o twitter é uma ferramenta essencial para tal “conversa” com os leitores (principalmente pela quantidade qualidade dos alertas) e não apenas isso, o monitoramento dos twitt permite identificar em “tempo real”o que acontece na cidade. Por que os jornais não investem em um livestream das cidades onde fazem cobertura?

Twitter

Twitter

Tenho um questionamento ainda mais simples: os jornais baianos já descobriram o twitter?

Na volta para casa zapeava as rádios locais e todos os programas pediam aos seus leitores que ligassem para as redações e comentassem o que se passava. Muito interessante a experiência colaborativa que fora desenvolvida. Os ouvintes ligaram e comentavam o que dava para observar, uma moça estava mais próxima do protesto, disse que teve porrada, o que estava mais longe afirmava que esta tudo parrado. O mais impressionante é que os radialistas/jornalistas tinham como fonte apenas os seus ouvintes, não havia como deslocar a equipe de reportagem e, geralmente, as fontes oficiais não falam em momentos de crise.

Mas aí volta a minha inquietação: como os media se relacionam com as redes sociais/mídia colaborativa. Se monitorassem o twitter, por exemplo, teriam um belo material para complementarem sua cobertura, neste caso. Ainda é possível fazer jornalismo sem contar com a colaboração do público? Ou ao menos saber o que andam dizendo por aí?

Em paralelo a cobertura mode in colaborativa, os meus twitts sobre o protesto dos moradores do Bairro da Paz agendaram algumas reações no twitter:

Para o Leo Borges o twitt serviu para “facilitar” a sua mobilidade;
Belote lembrou do protesto passado e as três horas em que ele ficou parado;
Tiago Celestino avaliou os protestos
Gerson leu o twitt e se mandou para casa
Caio informou, via celular, para sua amiga os motivos do engarrafamento
Gabriela relatou sua aventura no engarrafamento

Jornais e jornalistas precisam aprender a se “relacionar” com as novas tecnologias de informação e comunicação e com o seu público, pois é deste conjunto que virão pautas, diálogos e quem sabe a própria manutenção da atividade jornalística.

Em tempo, o Pelosi me lembrou que a AGECOM já utiliza o twitter na divulgação de conteúdo.

*twitter - leia-se microblogs

O que é o que A Tarde tem?

Tem me assustado o método que o A Tarde apresenta suas novas funcionalidades e produtos. A nova versão digital, prometida para o dia 5 de agosto e reprogramada para o dia 31 deste mês começa a aparecer em doses homeopáticas.

Primeiro fora o lançamento dos vídeos para o integrar o noticiário do jornal baiano. Em nota divulgada o veículo dizia “ampliar a oferta de conteúdo multimídia” com a simples disponibilização de vídeos em seu site. Estranho…

Agora foi a vez do A Tarde potencializar os seus blogs, a divulgação é claro. Teve até chamada na capa do impresso.  O conteúdo veiculado nestes blogs ainda está na fase transpositiva, a etapa primária do ciberjornalismo: as matérias publicadas no impresso vão para o site. Só falta falar que isso é cross-media. O pior é que anunciaram o “velho” como novo.

Estou a pensar…diante de anúncios de modernidade da imprensa baiana serão essas as “novidades” que o A Tarde irá implantar?

Hugo Pardo fará palestra em Salvador sobre comunicação móvel

 Éber Faioli/UFMG

Crédito: Éber Faioli/UFMG

“Tendências em comunicação móvel e mobile web 2.0: dos usos lúdicos ao uso empresarial” será o tema do Seminário a ser apresentado por Hugo Pardo, Dr. em Comunicação Audiovisual (Universidade Autônoma de Barcelona), Professor Titular do Departamento de Comunicação Digital da Universidade de Vic (Barcelona, Espanha), coordenador do Projeto Campus Móvil, autor do livro Planeta Web 2.0. Inteligencia colectiva o medios fast food.

O Seminário (ministrado em espanhol) será realizado no auditório da Faculdade de Comunicação da UFBA nos dias 19, 20 e 21 de agosto, das 15 às 18 horas. A entrada é gratuita e as inscrições serão efetivadas no primeiro dia do evento. O Seminário é organizado pelo GPC (Grupo de Pesquisa em Cibercidades) e GJOL (Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online) da FACOM-UFBA.

Informações

NICOM/FACOM/UFBA
Tel: (71)3283-6182
E-mail: nicom@ufba.br

Dica do Fernando Firmino

Análise da Conferência de Comunicação Social da Bahia

AGECOM

Com a realização da 1ª Conferência de Comunicação Social, a Bahia desponta no cenário nacional como referência no debate sobre políticas públicas no que tange a comunicação. Na plenária final foram aprovadas mais de 35 resoluções acerca da temática, em âmbito estadual e nacional, após três dias de intensos debates.

No total foram oito plenárias territoriais, que envolveram mais de 2 mil representantes de diversos setores da sociedade baiana. Em cada etapa solidificava-se a concepção de que a comunicação é um direito e democratizar os meios de comunicação é essencial para o fortalecimento da democracia. Não resta dúvidas de que só com a mobilização social as 35 resoluções serão efetivadas. A Conferência foi apenas o primeiro passo, para atingir tais objetivos a caminhada será longa.

Penso que os pontos abaixo foram os mais significativos durante a Conferência:

- ruptura com 16 anos de silêncio no que tange os debates sobre comunicação;
- a importância da criação da Secretaria Estadual de Comunicação e implantação do Conselho Estadual de Comunicação, com caráter deliberativo, para gestão da política de comunicação do Estado da Bahia;
- reformulação, pelo Congresso Nacional, da legislação de radiodifusão comunitária desburocratizando os tramites legais para abertura dessas rádios.
- ampliar as verbas de publicidade para as mídias alternativas da capital e do interior baiano;
- criação de uma rede pública de comunicação, que envolva TV, rádio, internet, impresso e afins;
- os produtos comunicacionais devem atentar para as particularidades territoriais;
- criar Conselhos Territoriais de Comunicação para dialogar com os poderes públicos acerca da comunicação;
- Implantação de rádios e TV`s comunitárias;
- utilizar as novas tecnologias de informação e comunicação na relação ensino-aprendizagem, bem como capacitar professores, facilitadores, agentes comunitários para o uso dessas ferramentas e melhorar a qualidade dos equipamentos das escolas e levá-los aos centros comunitários, sindicatos e afins.
- a educomunicação, artecomunicação são metodologia fundamentais para o ensino na sociedade da informação;
- garantir acesso gratuito a banda larga em todo Estado;
- a transformação dos Centros Digitais de Cidadania em “Centros de Comunicação Pública”, formado por equipe multidisciplinar (artistas, professores, comunicadores…) para compartilhar conhecimento, sendo a gestão compartilhada com a comunidade, visando adequar as atividades dos Centros mais próximas das pessoas e de acordo com a realidade local.
Quem paga a conta é o poder público e/ou iniciativa privada. Além disso, esses Centros de Comunicação Pública devem ter equipamentos multimidiaticos para fomentar a produção da comunidade. A idéia é a criação de um portal colaborativo para veiculação dos produtos realizados nos Centros e que as escolas, associações comunitárias/moradores e afins utilizem também os Centros para educar/profissionalizar.

Por fim, o Movimento Pró-Conferência Nacional de Comunicação realizou reunião histórica aqui em Salvador, onde foram definidas as estratégias para a tirar o evento do papel. Senti falta dos blogueiros (veja como foi fraca a cobertura da blogosfera aqui e aqui), cidadãos-repórteres e pesquisadores de comunicação no debate. A transformação se faz na rua camaradas…

*crédito da foto: Robson Mendes / AGECOM

Debates na Conferência de Comunicação Social da Bahia

Pela manhã foram divididos dois grupos (Políticas Públicas de Comunicação e Desenvolvimento Territorial e Educação e Novas TIC`s, no qual eu fiquei e o debate fora basicamente sobre inclusão sócio-digital, como se apropriar das novas tecnologias de comunicação e informação para gerar conhecimento e transformação social.

Fora realizadas duas palestras do Ismar Oliveira e Marcos Manhães acerca deste macro-tema e a síntese está abaixo:

Educomunicação e Políticas Públicas

Ismar de Oliveira focou sua palestra na educomunicação. Para ele, a comunicação é uma ferramenta estratégica para a educação e formação cidadã. Oliveria falou da importância da criação de ecossistemas comunicativos, que devem ser abertos, criativos e democráticos, destacou a importância da co-participação dos usuários na produção e divulgação de conteúdo.

“as novas tecnologias de informação e comunicação desempenham um papel fundamental na democratização da comunicação e para educação”, destacou.

Por fim, apresentou diversas experiências onde as comunidades se apropriaram das ferramentas de comunicação para o compartilhamento de conhecimento. Como a Fundação Casa Grande, onde existe a gestão democrática da comunicação.

Marcos Manhães

Modelos econômicos e mercadológicos vêm acompanhadas nos processos tecnológicos. Segundo Marcus Manhães, o consumo das Novas TIC`s são modulados/direcionados, mas podem ser apropriados de formas específicas para atender as necessidades de determinados grupos.

As Novas TIC`s potencializaram as redes de relacionamento, para além do muro do vizinho. Esta dinâmica social torna o mundo pequeno “small world”.
Para Manhães “a expressão tecnológica é a materialização cultural da subjetividade. O consumo e apropriação destas tecnologias são frutos de estruturas culturais”.

As experiências que envolvam tecnologia e educação precisam de “adaptadas” a cada realidade para que gere um sentimento de pertencimento e participação das comunidades.

Para as rádios comunitárias é a melhor alternativa é ocupar “espaços” na internet do que brigar pelas freqüências analógicas, que segundo ele já datam prazo de validade. Propôs ainda a criação de nuvens de acesso wi-fi aberto e gratuito, uma espécie infoesfera onde o compartilhamento de conteúdos sejam potencializados.

Sobre os palestrantes:

Ismar de Oliveira – Pós-Doutor em Ciência da Comunicação e Coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo. É também responsável pelos projetos de lei em edu-comunicação na cidade de São Paulo e no estado do Mato Grosso.

Marcos Manhães
- pesquisador em telecomunicações e mestre em Educação pela Unicamp. É coordenador técnico do Laboratório de TV Digital na Diretoria de Inclusão e TV Digital na Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento – CPqD.

Site do A Tarde sairá ate o final de agosto

O novo site do A Tarde (conforme publiquei aqui) estava previsto para o dia 5 de agosto. Mas até agora nada. Ao que tudo indica o maior jornal do norte-nordeste terá sua nova versão lançada no dia 31 de agosto. Além da nova data, ouvi de uma editora do A Tarde que terá até produção em vídeo (já está em teste) e o site ficará bastante amplo, um portal ao pé da letra.

Agora resta saber se a redução enxuta (depois de uma tsunami de demissões) dará conta da alimentação diária do site e os conceitos sejam aplicados corretamente. Marquei a nova data no calendário.

Inscrições abertas para o BlogCamp SP2008

BlogCampSP2008

São Paulo será a sede do próximo BlogCamp. Os blogueiros irão se reunir nos dias 30 e 31 de agosto, no Espaço Gafanhoto (Av. Rebouças, 3181, SP). Além da tradicional desconferência haverão oficinas sobre PHP, vídeo, texto, foto e afins.

Lú Freitas avisa: “Podem gritar, gemer, chorar. A gente sabe que está em cima da hora. E mesmo assim estamos com 200 vagas para o BlogCamp em S. Paulo”.

As inscrições podem ser feitas aqui. Mais informações no site BlogCamp Brasil.

E agora camaradas da Bahia? São Paulo é mais longe…Quem vai?

Em tempo, o blogcamp-ba está em processo de construção. Acompanhe o debate via lista.

Começa hoje a Conferência de Comunicação Social da Bahia

Após 8 plenárias territoriais, que envolveram mais de 2 mil representantes de diversos setores da sociedade, começa hoje a 1ª Conferência de Comunicação Social da Bahia. A abertura do evento será no Hotel Sol Bahia, em Patamares, às 19h e contará com a participação do governador Jaques Wagner, da deputada federal Luiza Erundina (SP), da Comissão de Comunicação, Ciência e Tecnologia da Câmara Federal, do assessor-geral de Comunicação Social do Governo da Bahia, Robinson Almeida, e do presidente do Conselho Estadual de Cultura, Albino Rubin, dentre outros.

Desta quinta (14) até sábado (16) os 247 delegados eleitos nas territoriais (70% da sociedade civil e 30% do governo e iniciativa privada) e cerca de 160 observadores, irão sistematizar as propostas tiradas nestas plenárias e divulgar a Carta da Bahia.

De acordo com o GT, que organiza a Conferência, os temas que mais despertaram o interesse dos participantes foram: regularização das rádios comunitárias (políticas públicas) e criação do conselho de comunicação social (desenvolvimento territorial).

O evento será transmitido via internet pela AGECOM. Farei a cobertura via twitter e aqui pelo blog.

Agora sou escritor

livro

Apesar de cibercultura, ciberjornalismo, jornalismo colaborativo, novas tecnologias e afins serem assuntos diários aqui no blog e em mesa de bar, navego também por outros mares. E um desses oceanos é o jornalismo literário e/ou narrativas contemporâneas, onde o produto final é um jornalismo poético, mais detalhado e mais trabalhado, que transmita ao leitor o cheiro, gosto e a visão do objeto/cenário narrado.

Uma experiência dessas narrativas contemporâneas será lançada hoje, às 19h, na Livraria Saraiva, no Salvador Shopping. Trata-se do livro Narrativas de Todos os Santos - Bahia de Perfil, que traz 25 reportagens sobre paisagens, contexto e personagens da capital baiana. A obra é resultado da disciplina Narrativas Jornalísticas e de uma oficina de textos ministradas pela professora Cremilda Medina lá na pós-graduação.

Tive a honra de ter meu texto “Conversas furtadas” selecionado para integrar o livro. Estão todos convidados para o lançamento que contará com a presença da Cremilda, grande mestra.

Depois disponibilizo a reportagem aqui e sorteio um livro.